Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

 

Sobre a actual crise internacional digladiam-se os opositores do costume. De um lado os “Liberais” (leia-se, defensores da economia de mercado pura) e de outro os “Intervencionistas” (leia-se, socialistas, defensores da economia de mercado às 2ªs, 4ªs e 6ªs e do socialismo intervencionista nos dias restantes).
 
Os liberais mais empedernidos vociferam contra qualquer intervenção pública no sacrossanto mercado quando, como é bom de ver, ela é permanente e não surge com a actual crise. A única diferença é a dimensão e o objectivo desta intervenção. Dirão estes que são sempre contra a intervenção estatal na economia e que, por maioria de razão, são contra esta brutal intervenção.
 
Parece-me que no plano dos princípios têm toda a razão. Na verdade, a economia de mercado ultrapassaria esta como ultrapassou outras crises sem a intervenção da mão mais que visível do Estadão. Falências, desemprego, desconfiança nos mercados e uma situação social potencialmente explosiva seriam (serão?) as consequências mais evidentes. E o sofrimento de muitos milhares, senão milhões de pessoas.
 
A intervenção do estado não serve, pois, para salvar a economia de mercado. Esta salvar-se-ia muito bem sozinha. O que sucede o é que os Estados, ou antes os poderes instalados nos Estados, governos e oposições, querem salvar a sua própria pele (e, em boa parte a dos pobres incautos que nada têm com isto), pois em larga medida foram as suas políticas (de intervenção) e em alguns casos a ausência delas (de regulação) que provocaram o actual caos no sistema financeiro. Isto sem esquecer, como é evidente, os mais directos responsáveis pela crise do sistema financeiro: os “”financeiros” eles próprios. Mas esses já estão de férias nas Bahamas...
 
Dizem alguns entendidos na matéria que esta crise não era previsível. Outros, como está bom de ver, dizem o contrário. Ambos têm razão. É mais ou menos o mesmo que apostar num resultado do Sporting-Porto do próximo fim-de-semana. Alguém vai acertar. É que a famigerada ciência económica tem cada vez menos de ciência e mais de lotaria.
 
Quanto aos “socialistas de alternância”, primeiro espumaram de tanta satisfação em face do “mais que previsível e anunciado” fim do “capitalismo selvagem”, do “neoliberalismo” e outros chavões tão do seu agrado, exigindo políticas de intervenção (leia-se nacionalizações) que tão bons e reconhecidos resultados têm para apresentar. Num segundo momento, porém, dando-se conta de que o “capitalismo selvagem” ainda esperneava, avançaram para soluções mais drásticas do tipo da fixação administrativa dos juros bancários, fixação de preços em mercados concorrenciais (logo, artificiais)...enfim, toda uma série de planos diabólicos para fazer entrar pela janela aquilo que não conseguiram fazer entrar pela porta da frente. Houve até quem falasse no renascimento de Marx. 
 
Parece-me evidente que, “comme d’habittude”, estão “ambos os dois” errados. Em qualquer caso, mais os segundos que os primeiros.
Ou seja: os custos políticos e sociais de permitir que a crise do mercado se resolva por si própria são demasiado elevados para que se permita que tal aconteça (a acreditar, obviamente, que o plano resulte...). É esta a razão da intervenção, e não a incapacidade de auto-regeneração da economia de mercado. Daí que me pareça quixotesco defender uma utópica pureza do mercado quando é por demais evidente que tal nunca existiu, nem (previsão económica) verá alguma vez a luz do dia.
Quanto aos outros senhores, todo o cuidado é pouco. É que há um exército deles à espreita para fazer regressar a miséria e a mediocridade de que os socialismos de pacotilha invariavelmente deram mostras.     


publicado por Nuno Albuquerque às 14:59 | link do post | comentar

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