Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Os cronistas profissionais estão em pânico. Sucedem-se as diatribes contra as “liberdades” que os blogues e a internet em geral permitem a qualquer bicho-careta. É vê-los com prosas inflamadas contra os abelhudos que se atrevem a entrar no seu território sagrado e, principalmente, no seu ganha-pão. Não estou a falar dos crimes que, embrulhados numa pseudo liberdade de expressão, por aí se vão cometendo em larga escala. Não. Esses deverão e continuarão a merecer o devido tratamento nos locais que, salvo melhor opinião, sempre tiveram competência para dirimir tais litígios: os tribunais. Assim se queixem os visados (sim, eu sei que os tribunais não funcionam...mas isso é outra história...).

Mas não é por isso que os opinadores profissionais andam a perder o sono. O que os traz na iminência de um AVC é a quantidade de iletrados, analfabetos funcionais e mesmo alguns letrados (mas pouco...) que, cada vez mais, se permitem opinar sobre todo e qualquer assunto e, pasme-se, conseguir algum eco e mesmo gerar alguma controvérsia/discussão. Isso é que não. Com que direito, de facto, se permitem invadir assim território marcado há décadas? Conspurcar com a sua, quase sempre, assustadora prosa, o mainstream da opinião publicada? É que, desde há muitos anos, que só uma meia dúzia bem contada de iluminados é que pode, em Portugal, opinar sobre todo e qualquer assunto sem que ninguém se lembre de lhe perguntar pela razão de ciência. Depois é vê-los saltitar de jornal em jornal, de televisão em televisão, em tudo o que mexe, para perorarem, sabiamente e com pose altiva, sobre assuntos que vão da independência do Kosovo ao cantar dos grilos nas longas noites de verão.
E repare-se que os bloguistas não lhes ocuparam a coluna do jornal, nem da revista, nem muito menos da televisão. Nada disso. Limitam-se a escrever em blogues, o mais das vezes obscuros (como este yours truly), mas que ainda assim prefiguram o eclodir da grande selvajaria. Há até quem já proponha, com a subtileza de um elefante numa loja de porcelanas, que devia haver uma qualquer espécie de controle...não, ninguém falou de censura, era só uma espécie de controle de qualidade...até se podia criar uma qualquer norma ISO...no fundo, o que pretendem, sempre bem intencionados, é poupar o já de si intelectualmente rasteiro público a prosa/oratória de duvidosa qualidade. Para isso estão lá eles.


publicado por Nuno Albuquerque às 13:06 | link do post | comentar

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