Meus senhores, é oficial: toca a fazer as malas.
Este é o mesmo senhor que no consulado socrático se especializou em assobiar para o lado.
Parece que o Primeiro-Ministro terá sugerido aos milhares de professores condenados ao desemprego que a alternativa da emigração para os países lusófonos deveria ser seriamente considerada.
Num país habituado a que os políticos mintam despudoramente, veja-se os últimos 30 anos, não deixa de ser curioso o rasgar de vestes que esta afirmação provocou.
De sindicalistas profissionais a políticos da velha guarda, ninguém se furtou a destratar o meliante.
Para compor o ramalhete, até o Prof. Marcelo, qual grilo falante da pátria, veio dizer mais ou menos isto: bom, o que ele disse é verdade, mas não o devia ter dito. Enganava-nos mais um bocadinho. Pelo menos até passar o Natal.
Não sei se o Primeiro-Ministro é bom ou mau. Desconheço se o que está a fazer vai ou não resultar. Creio até que ninguém, ele incluído, sabe exactamente o que vai acontecer.
Uma coisa sei. A verdade é sempre melhor que a mentira. E de mentiras estamos todos fartos. Eu estou.
RIP
Uns, lampeiros, furtam gravadores aos jornalistas em plena entrevista porque não lhe agrada o teor das perguntas.
Outros, entre correligionários, anunciam do alto da sua irresponsabilidade que o que devíamos era ameaçar os alemães de não pagar a dívida.
Ambos são deputados da nação; o primeiro já foi nomeado para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários (é um perito em crime, está bom de ver). O segundo está na fila. Algo de muito bom lhe vai acontecer. Na pior das hipóteses acaba em Paris a estudar filosofia.
Gostava que alguém me explicassse a que título é que alguém que renuncia a um mandato de administrador numa empresa, i.é., denuncia unilateralmente a posição jurídica que detém face à mesma, vem a ser indemnizado por esse facto.
Há, de facto, uns contratos muito especiais cá pelo burgo...
Salvo disposição contratual em contrário (que muito me espantaria e muito explicaria sobre certo tipo de gestão pública), a parte que resolve um contrato antes do seu termo, a menos que invoque e venha a demonstrar a existência de incumprimento da parte contrária, é que incorre na obrigação de indemnizar a contraparte. Ora, neste caso, dá-se o inverso. Uns senhores administradores renunciam ao mandato, portanto, rescindem unilateralmente o vínculo que detém e, sabe-se lá porque carga de água, recebem integralmente os valores referentes ao mandato que, por sua iniciativa, decidiram não cumprir até ao fim.
Depois disto não há risco de parecer ordinário: é a puta da loucura, meus senhores!
Em Portugal não existem vítimas de crimes. Apenas alegadas vítimas. É uma espécie de presunção de inocência, mas ao contrário.
Quem o faz, a comunicação social em peso, julga que a tanto está obrigado por força da tão maltratada presunção de inocência do arguido/suspeito (se o(s) houver), assim se furtando a eventuais e sempre chorudos pedidos de indemnização. Naturalmente, uma e outra razões são ridículas. Estúpidas, mesmo. Desde logo, porque a presumida inocência do suspeito/arguido não é em nada beliscada pela existência de uma vítima. O facto de um suspeito tornado arguido vir a ser absolvido do crime de que vinha acusado não faz desaparecer a vítima. Apenas significa que não se encontrou o culpado.
Esta peregrina prática jornalística leva-nos a situações absurdas como a de termos uma “alegada” vítima de agressão física, com a cara feita num bolo, duas pernas partidas e sem os dentes da frente que, a final, face à incapacidade de acusar/condenar alguém, nunca chegará a alcançar a qualidade de vítima. E porquê? Apenas e tão só porque não se apanhou o tratante. Não há culpado, não há vítima. ( é uma variante do nula crime sine lege dos tempos mediáticos.)
No limite, chegará o dia, mais cedo do que tarde, em que um morto de morte matada será apenas e só um alegado morto.
Pobre país.
Adenda: Esta prática conhece apenas uma excepção, vá, duas: tratando-se de “violência doméstica” ou de crimes assim mais para o popularucho, é um fartar vilanagem de vítimas e criminosos. Basta alguém gritar “violência doméstica” e temos, imediatamente, vítima e culpado. E depois ainda dizem que a justiça é lenta.
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